Título do livro: O primo Basílio
Título da obra adaptada: O primo Basílio – Eça de Queirós
APRESENTAÇÃO: Baseada no livro O PRIMO BASÍLIO,
de EÇA DE QUEIRÓS. Publicado em 1878
é um dos mais conhecidos e
importantes romances do escritor português. Foi escrito em Portugal, numa
época de forte tendência realista na literatura. Sua leitura reporta a um tema
sempre presente na estética realista: o adultério.
A ação central do romance
apresenta o triângulo amoroso Jorge-Luísa-Basílio.
Luísa, a burguesinha bonita,
loira e desmiolada, não faz nada na vida a não ser ler romances românticos,
evidentemente, sendo facilmente seduzida pelo primo Basílio, tão logo o marido
Jorge afasta-se de casa em viagem de trabalho.
Casados por conveniência, longe de ser um casamento firmado em bases
sólidas, Luísa não resiste ao ataque do primeiro sedutor que aparece,
entregando-se sem remorso.
Um dia recebe a visita de seu
primo Basílio, antigo namorado.
Juliana: D. Luisa, D. Luisa.
Luísa: Ai Juliana. Que susto.
Você parece uma assombração. Que foi?
Juliana: É que tem um homem na
porta. E não sei se é para deixar entrar. Ta dizendo que é
seu primo Basílio
Luísa: Claro que é. Pode deixar que eu mesma atendo. Vai
fazer seu serviço.
(porta abrindo)
Luísa: Oi.
Basílio: Linda.
Luísa: Fiquei esperando você
ligar.
Basílio: Resolvi fazer uma
surpresa.
Luísa: Que pena, o Jorge
viajou semana passada.
Basílio: Por isso mesmo é que eu
vim agora.
Luísa: Queria tanto que o
conhecesse.
Basílio: Não irá faltar
oportunidade.
Luísa: E você? Continua solteiro?
Basílio: Solteirinho da silva.
Você me trocou pelo engenheiro.
Luísa: Você também me fez promessas e não cumpriu.
Vai ficar aqui por muito tempo?
Basílio: Não pretendia. Mas
depois de te ver vai ser difícil de viajar.
Narrador: Juliana traz
duas taças de vinho (barulhos de taças)
Luísa: Aceita vinho?
Basílio: Aceito.
Narrador: O que eram duas taças
de vinho se tornaram quatro, seis, oito, dez...
(Liga a
música. Luisa fecha portas e janelas) Os dois estão bem alegres. Basílio
abraça Luísa para dançar. (Liga a música)
Narrador: O sol nasce em
mais um novo dia. (som pássaros ao
amanhecer)
(batida de porta e porta
se abrindo)
Juliana: D. Luisa, D. Luisa.
Olhe.
Narrador: Juliana entrega as
flores e começa a varrer a sala. Luísa senta-se no sofá, lê o bilhete, vai para
a sala de jantar e começa a escrever uma carta a Basílio:
LUÍSA“Querido Basílio, a
noite de ontem também foi maravilhosa para mim, você realmente sabe como
agradar a uma mulher, quero repetir isso mais vezes, mas aqui em casa é muito
arriscado, Juliana, a empregada é muito intrometida, temos que nos encontrar em
outro lugar. Beijos, de sua amada Luísa...”
(batem
à porta)
Narrador: Enquanto isso ocorre, Luísa fica
desesperada, joga a carta no lixo e vai até a sala. Juliana pega o lixo e sai.
Luísa: Sebastião! Mas que
surpresa boa é essa?
Sebastião: Vim ver se está tudo
bem. Se precisa de algo.
Luísa: Obrigada Sebastião. Mas
está tudo bem. Graças a Deus.
Sebastião: Só quer que o Jorge
volte logo. Advinhei?
Luísa: Sim. É uma tristeza.
Sebastião: Não quero atrapalhar,
mas...
Luísa: Imagina. Você é de
casa.
Sebastião: D. Luísa, evite problemas
domésticos com as empregadas. Você parece preocupada.
Luísa: Bobagem Sebastião.
Narrador: Luísa corre para ver a
lata de lixo, mas não há nada lá.
Narrador: Juliana pega o bilhete
do bolso.
Juliana:
Isso aqui vale ouro... é a minha aposentadoria... Posso ganhar pelo menos
uns 600.000 réis
(telefone tocando) Luísa: Alô...
Narrador: É
o primo Basílio. Ele avisa sobre o ninho de amor dos dois.
O tão sonhado Paraíso. Todos os dias era lá que passava suas tardes. Não tinha preguiça de se arrumar
e percorrer todo o percurso até lá.
Narrador: Um dia estava de saída,
quando Sebastião aparece na porta e Luísa acaba se atrasando. Sai, não encontra
Basílio e volta mal humorada.
(batida de porta)
Luísa: Ainda não arrumou a casa? Numa hora dessas a
casa ainda assim?
Juliana: Tava cuidando disso
agorinha mesmo.
Luísa: Sabe que horas são?
Juliana: São umas três ou três e meia.
Luísa: E a casa ainda nesse estado. Você vive me
dando dor de cabeça. Uma praga na minha vida.
Juliana: A senhora tem passado as tardes na rua. E eu
pensei que...
Luísa: Você não tem que pensar nada.
Juliana: Só to dizendo que...
Luísa: Cala a boca... Uma hora dessa
e essa bagunça.
Juliana: To tentando explicar D.
Lui...
Luísa: Não interessa. Você passou dos limites. Pode
arrumar suas coisas.
Juliana: Dona Luísa não me faça
perder a cabeça.
Luísa: Rua... Rua.
Juliana: Eu saio se eu quiser.
Luísa: Como é que é?
Juliana: Eu saio se eu quiser...
se eu quiser. Eu não to aqui para aturar faniquito de madame, não. A senhora
não me conhece dona Luísa. Ta pensando que aquele cartão foi parar lixo? Eu
encontrei aquele papel que o patrão não vai gostar nada de ver.
Luísa: Quê?
Juliana: Eu to dizendo que o
cartão do seu amante ficou comigo. Tem uma cartinha da senhora também, viu?
Juliana: Dá licença que tenho um
monte de serviço pra fazer.
Narrador: A partir desse momento
Luísa passou a ser usada por Juliana, teve que dar algumas de
suas roupas, fazer os trabalhos domésticos, trocar o quarto da chantagista. A
essa altura Basílio já se mudou para Paris. E Jorge chega de viagem.
Jorge: Oi meu amor.
Luísa: Olá. Senti muito sua falta, gostaria que nunca
tivesse viajado.
Jorge: Mas o que aconteceu? Ta muito diferente.
Abatida.
Luísa: Não é nada de mais Jorge.
Narrador: Não aguentando mais as
chantagens de Juliana, Luísa escreve uma carta a Basílio pedindo
dinheiro, mas ele não responde. Então ela resolve contar toda a verdade a
Sebastião e que felizmente resolve ajudá-la. Para isso era preciso que Juliana
ficasse sozinha em casa.
Luísa: Vamos Jorge, vamos nos atrasar, dona
Felicidade e o Conselheiro devem estar nos esperando.
Jorge: Vamos, amor, vamos.
Estou morrendo de fome.
Narrador: Após todos saírem,
Sebastião chega acompanhado de um policial. Eles ameaçam Juliana e conseguem
recuperar as cartas. Juliana muito nervosa tem uma síncope e morre.
Narrador: Agora, Luísa está mais
aliviada, tirou o peso de suas costas. Mas ainda havia uma
angústia, um remorso. Luísa estava tendo alucinações, vendo o espírito de
Juliana.
Luísa: Sai daqui, sai! As
cartas são minhas. Sai! Já queimei todas. Sai fantasma. Sai.
Narrador: Um dia chega uma
carta para Luísa, e Jorge muito curioso resolve abri-la:
Basílio: “Amada prima Luísa.
Desculpa a demora para responder. Consegui o dinheiro. Agora poderá ficar livre
da empregada. Quero-te dizer que estou com saudades de nossas tardes quentes no
Paraíso, do seu perfume, do sabor de sua boca...”
Narrador: Agora está
tudo esclarecido para Jorge: os serviços realizados por
Luísa, a boa vida de Juliana. Ele decide não falar nada para Luísa, pois
ela está muito mal. Passam-sealguns dias e ela melhora.
Luísa: Que foi Jorge?
Jorge: Não é nada.
Luísa: Pode dizer. Você está
muito calado ultimamente.
Jorge: Quer saber mesmo? Então
te explico.
Narrador: Jorge mostra a carta de
Basílio. Luísa treme e chora.
Luísa: Não... não pode ser...
Luísa: Ai, ai, ai. Que dor de cabeça Jorge. Jorge, por
favor. Ai, ai.
Jorge: Luísa, calma, calma. Eu to aqui. Calma.
Narrador: Luísa dessa vez está
muito fraca, parece que não vai resistir.
Jorge: Te amo. Te amo. Te
perdoo. Não se vá. Fica comigo. Me perdoa. Me perdoa. Te quero de qualquer
jeito. Me perdoa.
Narrador: E assim Luísa morre,
Jorge se muda da casa que morava. Basílio volta a Lisboa e fica
sabendo do acontecido, mas pouco se interessa e ainda diz debochadamente:
Basílio: Que ferro! Devia ter
trazido Alphonsine!
