Clarice
Lispector
(1926-1977)
Clarice Lispector nasceu em 1926
na Ucrânia e, ainda pequena, mudou-se com a família para Recife, Pernambuco.
Mais tarde, veio para o Rio de Janeiro, onde estudou Direito. Durante a Segunda
Guerra Mundial, trabalhou em Nápoles, Itália, no hospital da Força
Expedicionária Brasileira. Após a guerra, morou na Suíça e nos Estados Unidos.
Seu primeiro romance, Perto
do coração selvagem, escrito
aos 17 anos, foi publicado em 1944 e lhe valeu o Prêmio Graça Aranha. Depois de
publicar A maçã no escuro (1961), despertou o interesse da
crítica literária que a situa, junto com Guimarães Rosa, no centro da ficção de
vanguarda. Em sua obra descobre-se um uso intenso da metáfora, atmosfera íntima
e ruptura com a realidade baseada em fatos, principalmente em A paixão segundo G. H. e Uma
aprendizagem ou o Livro dos prazeres.
No contexto da nova literatura brasileira, a obra de Clarice
Lispector se destaca pela exaltação da vivência interior e pelo salto do
psicológico para o metafísico. No plano ontológico, Clarice produziu o encontro
entre uma consciência e um corpo, em estado de materialidade neutra. Em sua
narrativa podem ser identificadas várias crises: do personagem-ego, não através
do intimismo, mas na busca consciente do supraindividual; da narrativa, através
de um estilo inquisitivo; da função documental da prosa romanesca — Clarice
parte do presuposto de que toda obra é romance de educação existencial.
De sua vasta produção literária, desde A cidade sitiada (1949) até A bela e a fera (1979), merecem ser lembrados os
contos de Laços de família e A
legião estrangeira e os
romances A imitação da rosa (1977), Água viva (1977), A hora da estrela (1977, filmado por Suzana Amaral em
1985) e Um sopro de vida (1978). Morreu no Rio de Janeiro em 1977.

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